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	<title>jazz brasileiro &#8211; Adriana de Barros</title>
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		<title>Hexalogy Tour Brasil &#124; Com Luv(sic) celebrando o encontro entre Nujabes, lo-fi hip-hop, anime e música brasileira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luis Lopes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Sep 2026 18:49:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Hexalogy tour chega ao Brasil com shows em São Paulo e Rio de Janeiro, celebrando o encontro entre Nujabes, Luv(sic) hip-hop lowfi, anime e música brasileira ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Há algo de volta para casa na chegada de <strong>Luv(sic) ao Brasil</strong> no Tour Hexalogy.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em outubro, o rapper japonês <strong>Shing02</strong> sobe aos palcos do <strong>Cine Joia, em São Paulo, no dia 17</strong>, e do <strong>Circo Voador, no Rio de Janeiro, no dia 20</strong>, para apresentar a <em>Luv(sic) Hexalogy</em>, série criada com o produtor japonês <strong>Nujabes</strong> e transformada, ao longo de mais de duas décadas, em uma das obras emblemáticas do encontro entre hip-hop, jazz e cultura japonesa contemporânea.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As apresentações fazem parte da <strong>Luv(sic) Hexalogy Latin America Tour 2026</strong>, que passa por México, Colômbia, Brasil, Argentina, Chile e Peru.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas há uma razão especial para essa estreia acontecer por aqui: <strong>o Brasil não é apenas um destino da turnê. A música brasileira é parte fundamental da própria construção de Luv(sic).</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Antes do lo-fi hip-hop, Nujabes</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Nascido <strong>Jun Seba</strong>, em Tóquio, Nujabes desenvolveu uma linguagem particular dentro do hip-hop,. Seus beats misturavam samples, jazz, soul, piano, contrabaixo, sopros e uma sensibilidade melódica incomum.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Anos depois, parte dessa estética seria reconhecida por uma geração muito mais jovem no chamado <strong>lo-fi hip-hop ou chillhop</strong>. Reduzir Nujabes a “pai do lo-fi”, porém, seria simplificar sua importância.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele era essencialmente um <strong>produtor de hip-hop e pesquisador de discos</strong>, interessado em encontrar sons que pudessem ser desmontados e reconstruídos. E nesse universo havia uma presença recorrente: <strong>a música brasileira</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MPB, bossa nova e jazz brasileiro ofereciam exatamente alguns dos elementos que se tornariam característicos de sua música — harmonias sofisticadas, melodias delicadas e uma relação peculiar entre ritmo e melancolia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa influência não é apenas estética. <strong>Ela está nos próprios samples.</strong></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>O Brasil já estava dentro de Luv(sic)</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A história começou por volta de 2000, quando Nujabes entrou em contato com <strong>Shing02</strong>, rapper nascido em Tóquio, que viveu também na Tanzânia, Inglaterra e Estados Unidos e se aproximou profundamente do hip-hop na cena independente da Bay Area californiana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desse encontro nasceu <strong>“Luv(sic)”</strong>, lançada em 2001. O que poderia ter sido uma colaboração isolada se transformou em uma conversa musical que atravessaria anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E em <strong>três dos seis capítulos da Hexalogy aparecem gravações brasileiras</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em <strong>“Luv(sic) Part 2”</strong>, Nujabes utiliza <strong>“Qualquer Dia”</strong>, composição de <strong>Ivan Lins e Vitor Martins</strong>, na gravação de <strong>Elis Regina com participação do próprio Ivan Lins</strong>, de 1977.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em <strong>“Luv(sic) Part 3”</strong>, a fonte é <strong>“Tens (Calmaria)”</strong>, composição de <strong>Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza</strong>, na interpretação de <strong>Nana Caymmi</strong>, registrada em 1975.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não se trata, portanto, de uma vaga influência brasileira. Nujabes estava <strong>ouvindo, selecionando e transformando gravações brasileiras em matéria-prima para construir seu hip-hop no Japão</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E a conexão reapareceria justamente no capítulo final.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Ivan Lins no Grand Finale</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Nujabes morreu em fevereiro de 2010, aos 36 anos, após um acidente de trânsito em Tóquio. A Hexalogy ainda não estava concluída.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Shing02 e músicos próximos ao produtor continuaram o projeto. Entre os materiais deixados por Nujabes estava o instrumental que se transformaria em <strong>“Luv(sic) Grand Finale / Part 6”</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nele encontramos novamente o Brasil: <strong>“Choro das Águas”</strong>, composição de <strong>Ivan Lins e Vitor Martins</strong>, gravada por Ivan no álbum <em>Somos Todos Iguais Nesta Noite</em>, de 1977.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Forma-se assim um arco curioso: Ivan Lins está em <em>Part 2</em>, Nana Caymmi em <em>Part 3</em> e Ivan retorna no <em>Grand Finale</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Metade dos seis capítulos de Luv(sic) possui uma conexão direta com fonogramas brasileiros.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">E esse interesse não ficou restrito à Hexalogy. Em outra faixa conhecida de Nujabes, <strong>“Lady Brown”</strong>, com Cise Starr, encontramos um sample atribuído a <strong>“The Shade of the Mango Tree”, de Luiz Bonfá</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Brasil fazia parte da discoteca de Nujabes.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quando o hip-hop encontrou o anime</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Existe outro elemento fundamental para explicar por que essa música alcançou uma audiência tão ampla: <strong>Samurai Champloo</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lançado em 2004 e dirigido por <strong>Shinichirō Watanabe</strong>, o anime realizou uma combinação improvável e decisiva: colocou o Japão do período Edo, samurais e espadas para conviver com beats, scratches, grafite e referências à cultura hip-hop.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nujabes foi um dos principais nomes de sua trilha sonora. E <strong>“Battlecry”</strong>, produzida por ele e cantada por Shing02, tornou-se o tema de abertura da série.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para muita gente fora do Japão, <em>Samurai Champloo</em> foi a porta de entrada para os dois artistas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa ligação permanece especialmente forte porque o público atual de Nujabes <strong>não é formado apenas por quem viveu o hip-hop dos anos 2000</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há uma geração que chegou depois, através do anime, YouTube, streaming, playlists, games e da explosão mundial do lo-fi.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O caminho muitas vezes aconteceu ao contrário: do lo-fi ao jazz hip-hop; do jazz hip-hop a Nujabes; de Nujabes a <em>Samurai Champloo</em>; e daí a Shing02 e <em>Luv(sic)</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, seus shows hoje conseguem reunir <strong>fãs de hip-hop, colecionadores de discos e uma geração conectada à cultura anime e ao universo digital japonês</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Uma celebração, não um tributo</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Há ainda uma diferença importante na proposta da turnê.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Shing02 não está simplesmente interpretando a obra de alguém que morreu. <strong>Ele faz parte dessa história.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">É sua voz e são suas letras nas seis partes de <em>Luv(sic)</em>. É o parceiro que construiu essa obra junto com Nujabes e agora retorna a ela mais de duas décadas depois.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na América Latina, Shing02 estará acompanhado por <strong>Spin Master A-1</strong>, DJ, produtor e turntablist com quem mantém uma longa parceria, e pelo guitarrista <strong>Sam Nakamura</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A formação também ajuda a transportar para o palco algo essencial à estética de Nujabes: o encontro entre <strong>DJ e músico, beat e instrumento, sample e performance ao vivo</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Finalmente, Brasil</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">É por tudo isso que os shows de outubro representam mais do que duas apresentações internacionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No palco estarão se encontrando o hip-hop independente da Califórnia, a cultura dos DJs de Tóquio, o jazz, <em>Samurai Champloo</em>, a cultura anime e uma nova geração que descobriu tudo isso pela internet.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas também estarão <strong>Ivan Lins, Elis Regina, Nana Caymmi e, em sentido mais amplo, a enorme tradição da música brasileira que alimentou a pesquisa sonora de Nujabes</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Antes de <em>Luv(sic)</em> chegar ao Brasil, portanto, <strong>o Brasil já estava dentro de Luv(sic)</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Discos brasileiros atravessaram oceanos, chegaram às mãos de um produtor em Tóquio, foram recortados e transformados em hip-hop e voltaram a circular pelo planeta através de vinil, anime, internet e streaming.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Agora esse percurso se completa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Mais de vinte anos depois, Luv(sic) chega pela primeira vez aos palcos brasileiros celebrando justamente aquilo que sempre esteve no centro da obra de Nujabes: o encontro entre culturas que parecem distantes, mas descobrem na música uma linguagem comum.</strong></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Serviço</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>LUV(SIC) HEXALOGY LATIN AMERICA TOUR 2026</strong><strong><br></strong> Shing02 + Spin Master A-1 + Sam Nakamura</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://shotgun.live/pt-br/events/luvsichexalogylatinamerica2026" target="_blank" data-type="link" data-id="https://shotgun.live/pt-br/events/luvsichexalogylatinamerica2026" rel="noreferrer noopener"><strong>São Paulo<br></strong>17 de outubro de 2026 — Cine Joia<br>Ingressos: Shotgun<br>Comprar ingressos — São Paulo⁠</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.eventim.com.br/event/luv-sic-hexalogy-no-circo-voador-circo-voador-22059511/" target="_blank" data-type="link" data-id="https://www.eventim.com.br/event/luv-sic-hexalogy-no-circo-voador-circo-voador-22059511/" rel="noreferrer noopener"><strong>Rio de Janeiro<br></strong>20 de outubro de 2026 — Circo Voador<br>Ingressos: Eventim<br>Comprar ingressos — Rio de Janeiro⁠</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fontes para referência e checagem:</strong> Discografia Brasileira e IMMuB para discografia, autoria e músicos brasileiros; MusicBrainz para créditos de <em>Modal Soul</em>; entrevista de Shing02 à Bandwagon Asia (2026) para a história e legado de <em>Luv(sic)</em>; KQED para a relação Nujabes–Shing02; além de catálogos japoneses especializados em hip-hop e vinil para a identificação dos samples.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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