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	<title>Palestina &#8211; Adriana de Barros</title>
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	<description>Jornalista - Rolezeira</description>
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	<title>Palestina &#8211; Adriana de Barros</title>
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		<title>Roger Waters não profanou “Comfortably Numb”. Ele recusou a anestesia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luis Lopes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Jul 2026 13:53:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ao lado da artista palestina Mona Miari, o principal arquiteto conceitual de The Wall transforma um clássico do Pink Floyd em testemunho sobre Gaza — e lembra que uma obra viva não é uma peça de museu Existe uma espécie de fundamentalismo entre os fãs de rock. Depois que determinada música é elevada à condição de clássico, qualquer tentativa de modificá-la passa a ser tratada como profanação.&#160; Trocar o arranjo, retirar um solo, mudar uma palavra ou acrescentar um novo significado parece, para alguns, quase um atentado contra o patrimônio histórico da humanidade. Roger Waters acaba de cometer todos esses “crimes”. Em “Comfortably Numb Re-Imagined”, realizada com a artista palestina Mona Miari, Waters desmonta um dos monumentos do Pink Floyd.&#160; Retira o célebre solo de guitarra, abandona a grandiosidade do rock de arena, introduz versos em árabe, incorpora melodias do Oriente Médio e transforma a experiência individual de alienação narrada em The Wall numa denúncia da anestesia coletiva diante da destruição de Gaza. A faixa chegou às plataformas em 12 de junho de 2026, depois de ter sido apresentada em Nova York, e ganhou um filme oficial em 17 de junho.  A pergunta original — “há alguém aí dentro?” — deixa de ser dirigida apenas ao personagem Pink e passa a atingir um mundo que assiste diariamente ao sofrimento palestino por meio de telas, notificações e números.&#160; A alteração mais simples é também a mais poderosa. O verso “I have become comfortably numb”, “tornei-me confortavelmente anestesiado”, transforma-se em “I will never become comfortably numb”: “jamais me tornarei confortavelmente anestesiado”. Não se trata de uma mudança decorativa. É a inversão completa do sentido dramático da canção.&#160; Em 1979, Pink (personagem do filme homônimo) era medicado para continuar funcionando, mesmo emocionalmente destruído.&#160; Em 2026, Waters e Miari recusam essa medicação moral. A nova versão não descreve a anestesia: combate-a. Mona Miari não aparece como uma convidada utilizada para conferir autenticidade a um projeto de uma estrela britânica.&#160; Sua voz reorganiza a música. Ela responde, em árabe, às perguntas da composição original, fala de liberdade, deslocamento, memória, raízes que rompem os escombros e da possibilidade de reconstruir uma identidade depois da destruição. Um dos momentos centrais é “Hind’s Lullaby”, uma conversa imaginária entre a menina palestina Hind Rajab e sua mãe.&#160; Nela Miari explicou que pensou na nova letra como uma resposta às perguntas de Waters: diante das ruínas de Gaza, de que adiantaria continuar perguntando se ninguém estivesse disposto a encarar a resposta?&#160; O filme amplia essa relação. De um lado, Waters e Miari aparecem no estúdio.&#160; Do outro, Gaza é mostrada pelos olhos de profissionais palestinos que filmaram seu próprio território. Não são imagens genéricas compradas em arquivos internacionais.&#160; A equipe trabalhou dentro de Gaza e, segundo os responsáveis pelo projeto, enfrentou bombardeios e interrupções constantes de comunicação durante as gravações. Assim, as ruínas não funcionam como cenário para a celebridade. São parte da autoria da obra. Os recursos associados ao projeto são destinados ao Palestine Children’s Relief Fund, organização humanitária que oferece atendimento médico, tratamentos, apoio psicológico, alimentos, água e assistência a crianças e famílias palestinas.  A obra, portanto, não se limita ao gesto simbólico de publicar uma mensagem. Ela conecta visibilidade artística e ajuda material.&#160; A recepção foi inevitavelmente dividida.  Parte da imprensa identificou na gravação uma transformação coerente do clássico: a solidão de Pink passa a representar a solidão de um povo, e a apatia da personagem torna-se metáfora para a indiferença política internacional.  A Billboard Italia descreveu o encontro entre Waters e Miari como um diálogo no qual o músico reconhece a demora do Ocidente em ouvir os palestinos.  Uma crítica publicada em julho classificou a faixa com quatro estrelas e considerou que Waters conseguiu produzir uma releitura musicalmente forte mesmo sem o elemento mais famoso da gravação original: a guitarra de David Gilmour.&#160; Outros reagiram como se Roger Waters tivesse invadido o Museu do Rock durante a madrugada e vandalizado uma relíquia. Alguns fãs disseram que ele havia “massacrado” o clássico, acusado o músico de agir por ego e reclamado da ausência do solo de Gilmour.&#160; A crítica musical misturou-se rapidamente à velha guerra civil entre os admiradores das duas principais partes criativas do Pink Floyd.&#160; É necessário, então, colocar os fatos no lugar. “Comfortably Numb” não foi composta exclusivamente por Roger Waters. A gravação original é assinada por Waters e David Gilmour.&#160; A letra e a situação dramática nasceram de Waters; Gilmour foi fundamental na construção musical e eternizou a faixa com sua voz e sua guitarra. A ausência de seu nome nos créditos apresentados pela nova versão é uma questão legítima e merece ser discutida. Mas reconhecer Gilmour não exige diminuir Waters. Roger foi fundador do Pink Floyd, principal letrista da banda depois da saída de Syd Barrett e força conceitual dominante na fase que produziu The Dark Side of the Moon, Wish You Were Here, Animals, The Wall e The Final Cut.  O Rock &#38; Roll Hall of Fame define os álbuns conceituais daquele período como trabalhos arquitetados por Waters em colaboração com Gilmour, Richard Wright e Nick Mason.  Mais especificamente, The Wall é inseparável da biografia, das obsessões e da visão política de Roger Waters.  A guerra que matou seu pai, o autoritarismo escolar, a solidão, a fama, a violência do espetáculo, a construção de inimigos e a transformação da frustração em fascismo pertencem à arquitetura narrativa criada por ele. Portanto, Waters não sequestrou um monumento do Pink Floyd. Ele abriu uma nova porta num edifício que ele, mais do que ninguém, ajudou decisivamente a construir. Artistas regravam, rearranjam e reinterpretam o próprio repertório.  Uma composição não precisa permanecer congelada no instante de sua primeira gravação. A versão de 1979 continua existindo, intacta, com a voz e os solos de Gilmour.&#160; Ninguém perdeu o original porque surgiu uma nova leitura. O ouvinte não é obrigado a escolher entre uma e outra. Aliás, a nova versão não pretende substituir a antiga. Ela executa outro trabalho. A original representa a fragmentação de um]]></description>
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Ao lado da artista palestina Mona Miari, o principal arquiteto conceitual de The Wall transforma um clássico do Pink Floyd em testemunho sobre Gaza — e lembra que uma obra viva não é uma peça de museu</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Existe uma espécie de fundamentalismo entre os fãs de rock.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Depois que determinada música é elevada à condição de clássico, qualquer tentativa de modificá-la passa a ser tratada como profanação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Trocar o arranjo, retirar um solo, mudar uma palavra ou acrescentar um novo significado parece, para alguns, quase um atentado contra o patrimônio histórico da humanidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Roger Waters acaba de cometer todos esses “crimes”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em <strong>“Comfortably Numb Re-Imagined”</strong>, realizada com a artista palestina Mona Miari, Waters desmonta um dos monumentos do Pink Floyd.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://adrianadebarros.com.br/wp-content/uploads/2026/07/roger-watersMona-Miari-1024x576.jpg" alt="Comfortably Numb Re-Imagined com Roger e Mona Miari" class="wp-image-1642" srcset="https://adrianadebarros.com.br/wp-content/uploads/2026/07/roger-watersMona-Miari-1024x576.jpg 1024w, https://adrianadebarros.com.br/wp-content/uploads/2026/07/roger-watersMona-Miari-300x169.jpg 300w, https://adrianadebarros.com.br/wp-content/uploads/2026/07/roger-watersMona-Miari-768x432.jpg 768w, https://adrianadebarros.com.br/wp-content/uploads/2026/07/roger-watersMona-Miari.jpg 1200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Mona Miari e Roger Waters em Comfortably Numb Re-Imagined</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Retira o célebre solo de guitarra, abandona a grandiosidade do rock de arena, introduz versos em árabe, incorpora melodias do Oriente Médio e transforma a experiência individual de alienação narrada em <em>The Wall</em> numa denúncia da anestesia coletiva diante da destruição de Gaza.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A faixa chegou às plataformas em 12 de junho de 2026, depois de ter sido apresentada em Nova York, e ganhou um filme oficial em 17 de junho. </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A pergunta original — “há alguém aí dentro?” — deixa de ser dirigida apenas ao personagem <em>Pink</em> e passa a atingir um mundo que assiste diariamente ao sofrimento palestino por meio de telas, notificações e números.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A alteração mais simples é também a mais poderosa. O verso <strong>“I have become comfortably numb”</strong>, “tornei-me confortavelmente anestesiado”, transforma-se em <strong>“I will never become comfortably numb”</strong>: “jamais me tornarei confortavelmente anestesiado”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não se trata de uma mudança decorativa. É a inversão completa do sentido dramático da canção.&nbsp;</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:30% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="678" height="1000" src="https://adrianadebarros.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Pink.webp" alt="Pink" class="wp-image-1644 size-full" srcset="https://adrianadebarros.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Pink.webp 678w, https://adrianadebarros.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Pink-203x300.webp 203w" sizes="(max-width: 678px) 100vw, 678px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p class="wp-block-paragraph">Em 1979, <em>Pink</em> (personagem do filme homônimo) era medicado para continuar funcionando, mesmo emocionalmente destruído.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2026, Waters e Miari recusam essa medicação moral. A nova versão não descreve a anestesia: combate-a.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mona Miari não aparece como uma convidada utilizada para conferir autenticidade a um projeto de uma estrela britânica.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sua voz reorganiza a música. Ela responde, em árabe, às perguntas da composição original, fala de liberdade, deslocamento, memória, raízes que rompem os escombros e da possibilidade de reconstruir uma identidade depois da destruição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos momentos centrais é <strong>“Hind’s Lullaby”</strong>, uma conversa imaginária entre a menina palestina Hind Rajab e sua mãe.&nbsp;</p>
</div></div>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Nela Miari explicou que pensou na nova letra como uma resposta às perguntas de Waters: diante das ruínas de Gaza, de que adiantaria continuar perguntando se ninguém estivesse disposto a encarar a resposta?&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O filme amplia essa relação. De um lado, Waters e Miari aparecem no estúdio.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do outro, Gaza é mostrada pelos olhos de profissionais palestinos que filmaram seu próprio território. Não são imagens genéricas compradas em arquivos internacionais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A equipe trabalhou dentro de Gaza e, segundo os responsáveis pelo projeto, enfrentou bombardeios e interrupções constantes de comunicação durante as gravações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, as ruínas não funcionam como cenário para a celebridade. São parte da autoria da obra.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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<p class="wp-block-paragraph">Os recursos associados ao projeto são destinados ao <strong><a href="https://www.pcrf.net/" target="_blank" data-type="link" data-id="https://www.pcrf.net/" rel="noreferrer noopener">Palestine Children’s Relief Fund</a></strong>, organização humanitária que oferece atendimento médico, tratamentos, apoio psicológico, alimentos, água e assistência a crianças e famílias palestinas. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A obra, portanto, não se limita ao gesto simbólico de publicar uma mensagem. Ela conecta visibilidade artística e ajuda material.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A recepção foi inevitavelmente dividida.  Parte da imprensa identificou na gravação uma transformação coerente do clássico: a solidão de Pink passa a representar a solidão de um povo, e a apatia da personagem torna-se metáfora para a indiferença política internacional. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A <em><a href="https://billboard.it/musica/rock/roger-waters-per-gaza/2026/05/28206468/?utm_source=chatgpt.com" target="_blank" data-type="link" data-id="https://billboard.it/musica/rock/roger-waters-per-gaza/2026/05/28206468/?utm_source=chatgpt.com" rel="noreferrer noopener">Billboard Italia</a></em> descreveu o encontro entre Waters e Miari como um diálogo no qual o músico reconhece a demora do Ocidente em ouvir os palestinos. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma crítica publicada em julho classificou a faixa com quatro estrelas e considerou que Waters conseguiu produzir uma releitura musicalmente forte mesmo sem o elemento mais famoso da gravação original: a guitarra de David Gilmour.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outros reagiram como se Roger Waters tivesse invadido o Museu do Rock durante a madrugada e vandalizado uma relíquia. Alguns fãs disseram que ele havia “massacrado” o clássico, acusado o músico de agir por ego e reclamado da ausência do solo de Gilmour.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A crítica musical misturou-se rapidamente à velha guerra civil entre os admiradores das duas principais partes criativas do Pink Floyd.&nbsp;</p>



<div class="wp-block-media-text has-media-on-the-right is-stacked-on-mobile"><div class="wp-block-media-text__content">
<p class="wp-block-paragraph"><strong>É necessário, então, colocar os fatos no lugar.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">“Comfortably Numb” não foi composta exclusivamente por Roger Waters. A gravação original é assinada por Waters e David Gilmour.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A letra e a situação dramática nasceram de Waters; Gilmour foi fundamental na construção musical e eternizou a faixa com sua voz e sua guitarra. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A ausência de seu nome nos créditos apresentados pela nova versão é uma questão legítima e merece ser discutida.</p>
</div><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="448" height="254" src="https://adrianadebarros.com.br/wp-content/uploads/2026/07/1593627340506.png" alt="1593627340506" class="wp-image-1648 size-full" srcset="https://adrianadebarros.com.br/wp-content/uploads/2026/07/1593627340506.png 448w, https://adrianadebarros.com.br/wp-content/uploads/2026/07/1593627340506-300x170.png 300w" sizes="(max-width: 448px) 100vw, 448px" /></figure></div>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Mas reconhecer Gilmour não exige diminuir Waters.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Roger </strong>foi fundador do Pink Floyd, principal letrista da banda depois da saída de Syd Barrett e força conceitual dominante na fase que produziu <em>The Dark Side of the Moon</em>, <em>Wish You Were Here</em>, <em>Animals</em>, <em>The Wall</em> e <em>The Final Cut</em>. </p>



<p class="wp-block-paragraph">O <a href="https://rockhall.com/inductees/pink-floyd/" target="_blank" data-type="link" data-id="https://rockhall.com/inductees/pink-floyd/" rel="noreferrer noopener"><strong>Rock &amp; Roll Hall of Fame</strong></a> define os álbuns conceituais daquele período como trabalhos arquitetados por <strong>Waters </strong>em colaboração com <strong>Gilmour, Richard Wright</strong> e <strong>Nick Mason</strong>.  Mais especificamente, <strong><em>The Wall</em> </strong>é inseparável da biografia, das obsessões e da visão política de Roger Waters. </p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>A guerra que matou seu pai, o autoritarismo escolar, a solidão, a fama, a violência do espetáculo, a construção de inimigos e a transformação da frustração em fascismo pertencem à arquitetura narrativa criada por ele.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, Waters não sequestrou um monumento do Pink Floyd. Ele abriu uma nova porta num edifício que ele, mais do que ninguém, ajudou decisivamente a construir.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Artistas regravam, rearranjam e reinterpretam o próprio repertório. </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma composição não precisa permanecer congelada no instante de sua primeira gravação. A versão de 1979 continua existindo, intacta, com a voz e os solos de Gilmour.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Ninguém perdeu o original porque surgiu uma nova leitura. O ouvinte não é obrigado a escolher entre uma e outra.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Aliás, a nova versão não pretende substituir a antiga. Ela executa outro trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A original representa a fragmentação de um homem que já não consegue sentir. A nova pergunta o que acontece quando sociedades inteiras deixam de sentir.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A primeira retrata a anestesia. A segunda tenta despertar o paciente.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Waters </strong>e <strong>Miari </strong>também enfrentam diretamente a expressão “do rio ao mar”, que provocou reações previsíveis. Porém, dentro da letra, a frase aparece associada explicitamente à defesa de <strong>direitos humanos iguais para todos</strong>. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Pode-se discordar da formulação política, mas é desonesto ignorar o contexto construído pela própria música: a reivindicação apresentada é de igualdade, liberdade e dignidade humana, não de superioridade religiosa ou étnica.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>“Comfortably Numb Re-Imagined” não precisa ser considerada superior à gravação de 1979. Essa comparação empobrece ambas. </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A pergunta importante não é se a nova versão possui um solo melhor, mas se ainda acreditamos que o rock pode interferir no presente — ou se desejamos que ele permaneça perfeitamente preservado, inofensivo e confortavelmente anestesiado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Roger Waters escolheu correr o risco de desagradar aos guardiões do museu. Aos 82 anos, poderia viver apenas da celebração de seu passado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Preferiu colocar uma de suas obras mais conhecidas a serviço de artistas palestinos, de profissionais que filmam sob bombardeios e de uma organização que atende crianças feridas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso não diminui “Comfortably Numb”.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Isso prova que, quase meio século depois, graças a Roger Waters, ela ainda está viva.</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="715" height="429" src="https://adrianadebarros.com.br/wp-content/uploads/2026/07/roger-capa.jpeg" alt="roger capa" class="wp-image-1646" srcset="https://adrianadebarros.com.br/wp-content/uploads/2026/07/roger-capa.jpeg 715w, https://adrianadebarros.com.br/wp-content/uploads/2026/07/roger-capa-300x180.jpeg 300w" sizes="(max-width: 715px) 100vw, 715px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Confiram o <a href="https://www.comfortablynumbreimagined.com/" target="_blank" data-type="link" data-id="https://www.comfortablynumbreimagined.com/" rel="noreferrer noopener"><strong>Site oficial de “Comfortably Numb Re-Imagined”</strong> </a>— reúne o texto de apresentação, a letra completa em inglês e árabe, tradução, conceito artístico e materiais de imprensa. </p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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