
O show da Shakira em Copacabana, neste 1º de maio de 2026, não foi apenas uma apresentação musical. Foi um daqueles eventos que provam que quem ama o show business precisa vivenciar a energia de um “Todo Mundo no Rio”, independentemente de qual seja o artista.
Eu confesso que não era fã número 1 da colombiana. No entanto, nem passou pela minha cabeça recusar o convite da Corona para vivenciar uma noite histórica nas areias de Copacabana. Corona, estou pronta! Simbora.
E assim parti para a experiência de estar cercada por uma multidão para ver a potência da música latina. E que ótimo que topei.
Existe algo inexplicável em ver o horizonte do Rio de Janeiro se transformar em uma pista de dança a céu aberto. O projeto “Todo Mundo no Rio”, a cada edição, reafirma sua força, atraindo turistas e locais para um espetáculo que vai muito além das notas musicais. E foi exatamente isso que vi de pertinho.
Fora que o show aconteceu em uma data carregada de simbolismo. No Dia do Trabalhador, enquanto a música ecoava, o Brasil se unia em uma luta social urgente: o fim da escala 6×1. Ver a “Loba” no palco em meio a esse clamor por mais qualidade de vida, especialmente para a mulheres, trouxe uma camada de profundidade e reflexão ao evento.
A espera pelo show foi um verdadeiro teste de ansiedade, mas cada minuto de atraso parecia trabalhar a favor da expectativa. E, sinceramente? Eu não tinha do que reclamar. Estava cercada por uma estrutura que permitia que o tempo passasse sem pressa. Tinha comida, bebida e o conforto necessário para celebrar a trajetória de Shak pelo tempo que fosse preciso.
Mas a festa, para mim, começou muito antes do primeiro acorde.
Tive o privilégio de vivenciar o “vipão da Corona” de forma intensa e, admito, um tanto descontrolada, mergulhando de cabeça na experiência ao lado de uma amiga carioca que conhece cada centímetro dos arredores do Copacabana Palace. Entre brindes, leques, bonés e copos personalizados, aproveitamos cada ativação da marca em uma atmosfera que me fazia sentir como uma criança em um parque de diversões, mas um parque cercado por celebridades e banhado pela brisa apaixonante do Rio de Janeiro. Comemos, bebemos e dançamos sem pressa, transformando o que poderia ser apenas uma espera em um verdadeiro deleite onde a diversão parecia não ter fim.
Um espetáculo de drones tomou o céu sobre a orla de Copacabana anunciando o início tão esperado do do show, desenhando formas iluminadas que dançavam sobre o mar. O impacto visual foi acompanhado por um coro arrepiante vindo da areia, onde milhares de vozes soltaram gritos afinados de “aauuuuuuu”, imitando uma loba em perfeita sintonia com a expectativa pela chegada da estrela colombiana.
Dali para frente, a conexão da cantora com o público brasileiro foi absoluta, reafirmando um laço que ela cultiva há décadas. Shakira abriu o show com a energia de “La Fuerte”, emendando em “Girl Like Me” e no clássico “Las de la Intuición”, mas o que todos esperavam mesmo era ver a loba dançar. E a gata entregou tudo. Entre coreografias impecáveis e hits atemporais, o palco se tornou cenário de encontros históricos, começando pela entrada de Anitta, a quem Shakira reverenciou como “rainha” antes de apresentarem, pela primeira vez juntas ao vivo, a vibrante “Choka Choka”.
A noite seguiu intercalando euforia e emoção com homenagens à nossa cultura. Ao lado de Maria Bethânia e da bateria da Unidos da Tijuca, Shakira entoou “O Que É, O Que É?”, transformando o hino de Gonzaguinha em um momento de pura celebração. Já o encontro com Caetano Veloso trouxe uma delicadeza tocante quando cantaram “Leãozinho”. Para fechar o ciclo de parcerias com chave de ouro, ela repetiu o feito do Rock in Rio 2011 e convidou Ivete Sangalo para dividirem “País Tropical”, deixando que a baiana, que surgiu belíssima em uma roupa azul, transformasse sua participação em uma verdadeira micareta em plena areia de Copacabana.
Shakira reservou ainda um momento especial para homenagear as mulheres, celebrando a força e a resiliência feminina diante de uma multidão que a via como um símbolo de superação. Mas, o clima de sororidade e festa também abriu espaço para o desabafo coletivo do público. Copacabana foi tomada por um coro uníssono e carregado de vontade, mandando Piqué “tomar no c*”. E a gente gritou com força. Mexeu com Shak, mexeu com a gente!
Para quem vive e respira a engrenagem do entretenimento, ignorar essa oportunidade seria quase um pecado profissional. Mesmo sem ter a discografia de Shakira na ponta da língua, entendi que o que estava em jogo ali era algo maior que o gosto pessoal. Era a celebração da cultura em sua forma mais vibrante. E foi sob essa ótica que aceitei o chamado para ver de perto o que Copacabana reservava.
Por fim, deixo o meu “muito obrigada” à Corona pela oportunidade de viver o projeto Todo Mundo no Rio de um lugar tão privilegiado. A verdade é que, independentemente de qual seja o seu artista favorito, estar no coração de um espetáculo dessa magnitude é algo que transcende qualquer gosto musical. Essa é uma daquelas experiências que a gente guarda no peito como uma memória afetiva das boas. De volta a babylon de alma lavada. :))