Criado durante a pandemia, o coletivo transformou playlists, pesquisa musical e encontros entre artistas em um circuito permanente para o rock independente do Rio de Janeiro Quando se fala em rock carioca, ainda é comum que a memória viaje automaticamente para outras décadas. Barão Vermelho, Blitz, Paralamas do Sucesso, O Rappa, Planet Hemp e tantas bandas que ajudaram a construir a identidade musical da cidade seguem como referências incontornáveis. O problema começa quando essa história é tratada como se tivesse terminado. Enquanto boa parte da indústria cultural olha para o passado, dezenas de artistas continuam compondo, gravando discos, produzindo videoclipes e ocupando pequenos palcos espalhados pelo Rio e pela Região Metropolitana. É nesse território vivo, diverso e geralmente distante dos grandes holofotes que atua o Rockarioca. Criado em outubro de 2020 pelo músico, DJ e produtor Pedro Serra, o movimento surgiu em um dos momentos mais difíceis para a música independente. Com casas fechadas e shows interrompidos pela pandemia, artistas que já enfrentavam dificuldades de circulação perderam também seu principal espaço de encontro com o público. A reação foi criar uma rede que reunisse inicialmente cerca de 25 bandas e artistas de diferentes gerações, estilos e regiões do estado. O que começou no ambiente digital logo se transformou em uma plataforma permanente de descoberta, documentação e articulação. O Linktree do Rockarioca reúne playlists no Spotify e YouTube, registros de shows, videoclipes, entrevistas, programas e projetos voltados tanto para a produção atual quanto para a memória do rock feito no Rio. Nas redes sociais, o trabalho foi estruturado como uma programação editorial. Havia espaço para novidades musicais, histórias sobre instrumentos, apresentação de bandas externas ao coletivo, recuperação da memória de antigos festivais, estúdios e casas de shows, além de comentários de artistas sobre discos importantes em suas formações. Mais do que divulgar lançamentos, o Rockarioca passou a construir contexto. Uma playlist como retrato da cidade A playlist principal do movimento funciona como uma fotografia em permanente atualização. Em julho de 2026, ela reunia 28 músicas, passando por nomes como Canto Cego, Banda Gente, Magma Velvo, Estranhos Românticos, Katia Jorgensen, Barba Ruiva, Melvin & os Inoxidáveis, Luiz Lopez, O Grito, Ladrão, Mauk & os Cadillacs Malditos, Anacrônicos, Katina Surf, Os Vulcânicos, Funeral Macaco, Korja, Cidade Partida, Homobono, The Dead Suns e A Grande Trepada, entre outros. Ouvir a seleção é perceber que “rock carioca” não representa uma sonoridade única. Dentro desse território convivem garage rock, punk, power pop, psicodelia, shoegaze, música eletrônica, samba, MPB, reggae, experimentação e diferentes aproximações com a música negra e periférica. Essa diversidade já estava evidente no primeiro Festival Rockarioca, realizado em 2022 na Audio Rebel. A programação reuniu a MPB-pop-rock de Guga Bruno, o indie com referências de bossa e rock de Barba Ruiva, o power pop de Melvin & os Inoxidáveis, o garage punk dos Vulcânicos, o rock psicodélico de O Grito, o indie tropical dos Estranhos Românticos e o shoegaze do Katina Surf. O repertório revela também uma cartografia mais ampla do Rio. O movimento não está limitado à Zona Sul nem a uma imagem turística da cidade. Artistas vindos ou conectados à Cidade de Deus, Mesquita, Nilópolis, Niterói, Lapa, Zona Norte, Zona Sul e outros territórios já passaram por suas programações. No segundo festival, por exemplo, Compay Oliveira, da Cidade de Deus, apresentou sua combinação de samba, rock e música eletrônica; a Banda Gente, formada por músicos do subúrbio e da Baixada Fluminense, levou um rock negro ligado a referências ancestrais e periféricas; a Trash No Star representou Nilópolis com guitarras distorcidas, punk e lo-fi; enquanto integrantes de Mauk & os Cadillacs Malditos conectavam Lapa, Niterói e Zona Sul. A força do Rockarioca está justamente em reunir o que muitas vezes aparece fragmentado. Bandas jovens dividem espaço com músicos que atravessaram diferentes períodos da cena. Trabalhos experimentais convivem com canções mais diretas. Artistas conhecidos dentro do circuito independente apresentam grupos que ainda estão dando seus primeiros passos. Da internet para os palcos O passo decisivo aconteceu quando essa rede digital ganhou presença física. Em julho de 2023 começou o Rockarioca Convida, evento realizado mensalmente no La Esquina, na Lapa. A proposta inicial era colocar uma banda ligada ao coletivo ao lado de um artista convidado, ampliando o intercâmbio e criando um ponto de encontro para músicos, produtores e público. A regularidade transformou a noite em uma pequena instituição da cena independente carioca. Em julho de 2026, o projeto chegava à 34ª edição, tendo promovido mais de 70 apresentações de bandas e DJs. A programação recente ajuda a dimensionar essa circulação. Somente em 2026, passaram ou foram anunciados pelo Rockarioca Convida artistas como Tacy, Guga Bruno, Lina Cosmic & Lomiranda, Os Barra Mansa, Katina Surf, Trama, Venuz, Risca Faca, Morcegula e A Grande Trepada. Paralelamente, o Festival Rockarioca tornou-se um encontro anual na Audio Rebel, em Botafogo. A quarta edição, realizada em outubro e novembro de 2025, reuniu Boa Noite Cinderella, Maverick Benedicto, Líbera, Abrahones e os Incuráveis, Macaco Sapiens, Dony Von, Anacrônicos e Flores de Plástico. A existência desses eventos mostra que uma playlist pode ser muito mais do que uma sequência de músicas. Quando existe curadoria, continuidade e presença territorial, ela pode funcionar como porta de entrada para um ecossistema: o ouvinte descobre uma banda, acompanha seu lançamento, assiste ao show, compra um disco ou uma camiseta e passa a conhecer outros artistas daquela rede. Independência não significa isolamento A música independente costuma ser descrita a partir daquilo que não possui: grandes gravadoras, investimentos robustos, execução intensa nas rádios ou presença constante nos principais festivais. O Rockarioca propõe outra leitura. A independência também pode significar capacidade de articulação, produção de memória, troca de conhecimento, ocupação de espaços e construção direta de público. A cena não é formada apenas por quem sobe ao palco. Ela depende de casas como a Audio Rebel e o La Esquina, de produtores, fotógrafos, jornalistas, DJs, técnicos, selos, designers, realizadores audiovisuais e, principalmente, das pessoas que continuam saindo de casa para conhecer um artista que ainda não ganhou
Fãs de Jão movimentam o Vale do Anhangabaú para audição do novo álbum, “Memórias Póstumas”
Neste domingo, 26 de julho, o Vale do Anhangabaú deixou de ser apenas o cartão-postal do centro de São Paulo para se transformar em um imenso anfiteatro a céu aberto. Milhares de pessoas se reúnem no espaço histórico para vivenciar um momento único na carreira do cantor Jão: a audição pública do seu aguardado álbum Memórias Póstumas. Veja as primeiras movimentações do evento. Os cliques gentilmente cedidos são da fã Anna Domingos.
Como Manuela Navas transformou telas íntimas em projeções para o show “O Grande Encontro do Samba”
Artista também é responsável por imagens de importantes livros da literatura nacional
Chico Chico une sofisticação e malandragem em tributo a Luiz Melodia
Cantor e compositor fez show no Sesc Pinheiros, em São Paulo
João Rock 2026: Festival divulga horários dos shows e programação dos palcos
Evento acontece em 1 de agosto em Ribeirão Preto
Entre memórias e paisagens amazônicas, Sammliz marca retorno autoral com novo single
Cantora paraense anuncia novo EP
Com espetáculo de timbres, Vanguart mostra maturidade e essência em novo show
Banda se apresentou na Casa Natura neste sábado (27)
O “Encontro” de milhões: Veja os melhores momentos do show de Alcione, Jorge Aragão e Zeca Pagodinho em São Paulo
Apresentações aconteceram nos dias 20 e 21 de junho no NuBank Parque
O brilho e a entrega de Johnny Hooker no Sonora Apresenta, pocket show do portal Terra
Cantor gravou pocket show no mês do orgulho com a presença de fãs em ação exclusiva
Edyelle Brandão antecipa novo álbum com show dedicado a divas do pop e R&B no Bona, em São Paulo
Com direção de Sté Reis, cantora se apresenta neste sábado (20), às 21h









