
Lia Paris, cantora e compositora brasileira radicada na França, retorna ao Brasil para a mini-turnê “Vive La Chanson”, com passagem por Belo Horizonte (Casa Outono Café & Cultura – 23 de maio), Rio de Janeiro (Blue Note – 6 de junho) e São Paulo (Blue Note – 18 de junho).
De Édith Piaf a Bárbara Pravi, o show homenageia diferentes gerações de artistas franceses com novos arranjos e uma abordagem contemporânea. No projeto paralelo a sua carreira autoral, Lia propõe uma verdadeira viagem pela música francesa, atravessando estilos e décadas.
O setlist inclui ainda canções de Brigitte Bardot, Serge Gainsbourg e Pink Martini, além de nomes contemporâneos como Zaz, Zaho de Sagazan e Carla Bruni.
A turnê tem início no dia 23 de maio, em Belo Horizonte, na Casa Outono, em formato voz e piano, com participação do instrumentista e arranjador chileno Samuka Cartes.
Em seguida, Lia se apresenta no Rio de Janeiro, no Blue Note Rio, também em formato intimista, acompanhada pelo pianista Hanser Ferrer, sobrinho-neto de Ibrahim Ferrer (Buena Vista Social Club), que imprime ao espetáculo uma sonoridade única.
Encerrando a turnê, Lia sobe ao palco do Blue Note São Paulo no dia 18 de junho, com duas sessões (às 20h e 22h), em formato de trio. Ao lado de Hanser Ferrer no piano e do consagrado Zeli Silva no contrabaixo acústico, o show ganha uma dimensão ainda mais dinâmica e envolvente, com arranjos inéditos e interpretações marcantes em um show emocionante do único ao fim.
Abaixo, em um papo exclusivo, Lia fala um pouco sobre a concepção do show, arranjo e participações:
Adriana de Barros: Lia, o show “Vive La Chanson” é descrito como uma viagem pela música francesa. Como foi o processo de curadoria para selecionar artistas que vão desde a era clássica de Édith Piaf até nomes contemporâneos como Zaho de Sagazan?
Lia Paris: Como sou compositora, as letras e histórias por trás das músicas me chamam muito mais atenção do que o fato de serem conhecidas ou não. Escolho por afinidade: se consigo sentir e viver aquela emoção, então será uma boa interpretação. Tem músicas que amo, que escuto muito, mas que não soam tão bem na minha voz ou no formato do show, e acabam ficando de fora.
A cada temporada tento trazer alguma novidade para as clássicas e novas descobertas francesas, sejam elas antigas ou contemporâneas, desde que eu consiga interpretá-las com o coração.
Nesta turnê, faço uma homenagem especial à Édith Piaf, principalmente nos shows do Blue Note. Além de interpretar seus clássicos, escolho músicas que tiveram forte influência dela ou que sinto que ela poderia ter cantado se fosse contemporânea a elas. Pois, assim como eu, quando não compunha, ela escolhia dar vida a músicas com as quais sentia afinidade emocional.
Desenho o repertório de forma a criar uma montanha-russa de sensações, e o trilho desta viagem são as pequenas falas e curiosidades sobre as letras, convidando o público a sentir empatia pela personagem e mergulhar com ela em cada canção.
Adriana de Barros: O que a motivou a criar este projeto paralelo focado em releituras e como ele dialoga com o seu trabalho original?
Criei o VLC há doze anos, pois apreciava muito a música francesa e quis estudar tanto o idioma quanto explorar a minha voz nessas canções, que requerem outro tipo de preparo, extensão e projeção.
São músicas difíceis de cantar, então representavam um novo desafio. Além disso, quis criar um projeto em que eu pudesse viver outras histórias que não as minhas. Interpretar canções tem um lado atriz que é muito interessante: é ter a oportunidade de criar personagens ou dar vazão às minhas outras personalidades. Acho isso revigorante e divertido; descobri minha voz e meus pensamentos em lugares onde antes não tinha ido.
Aos poucos fui apresentando o projeto para algumas pessoas e comecei a receber pedidos para cantar em eventos fechados. Sempre me pediam para que o show fosse aberto, mas eu estava focada na minha carreira solo e achei que seria muita coisa realizar dois projetos ao mesmo tempo. Então, apenas há três anos tomei coragem para divulgá-lo de forma mais ampla e, para minha surpresa, estreamos no Blue Note SP com casa lotada.
Fiquei muito feliz e tocada ao descobrir, junto com o público, a potência deste show. Vi muitas pessoas chorando e senti uma energia incrível interpretando essas canções que, não à toa, atravessam o tempo.

Adriana de Barros: O espetáculo promete “novos arranjos e uma abordagem contemporânea”. Como você equilibra o respeito à essência dessas canções icônicas com a necessidade de trazer uma sonoridade atual?
Tenho a alegria e o privilégio de trabalhar com excelentes instrumentistas, e eles contribuem muito para os arranjos. Eu chego com a proposta e temos ideias juntos; vamos construindo conforme sentimos o que é mais potente neste formato, seja voz e piano ou trio com baixo acústico.
A sonoridade atual vem tanto do jeito mais minimalista que proponho às músicas (influência do pop) quanto da minha interpretação vocal. Não tento soar “antiga”, parecida ou fazer uma caricatura da Édith Piaf. Interpreto a minha verdade, vivo o sentimento das letras e histórias através do meu prisma, e acho que, por isso, soa atual.
Adriana de Barros: No Rio de Janeiro e em São Paulo, você terá a companhia do pianista Hanser Ferrer. Como a herança musical dele (vinda do Buena Vista Social Club) influencia a sonoridade do seu repertório francês?
Com certeza. Hanser é um “monstro” do piano, realmente incrível, e tem uma personalidade muito forte ao tocar, que fica ainda mais visível nos solos e pontes, onde incentivo esse tempero diferencial que traz riqueza e verdade ao show. Nos divertimos muito no palco e, para isso, precisamos ser naturais, estar à vontade com a nossa essência.
Adriana de Barros: Atualmente radicada na França, como é para você retornar ao Brasil para apresentar justamente um repertório que homenageia a cultura francesa?
Lia Paris: Desde que me mudei para a França e o idioma francês passou a fazer parte da minha vida, comecei a entender nuances da língua, do humor e da ironia francesa, então sinto que é natural.
Ao me sentir mais segura tanto no idioma quanto na compreensão dessas nuances, me apropriei mais deste repertório e, de certa forma, agora ele representa também um ato de carinho e gratidão por um país e uma cultura que me acolheram de forma tão generosa.
Eles acham o máximo que eu canto em francês no Brasil e elogiam muito minhas interpretações. Isso me deu muita segurança para cantar essas músicas tão icônicas e desafiadoras, tanto pela admiração e comparação que elas naturalmente despertam, quanto pelo desafio vocal.
Adriana de Barros: Você sente que a sua percepção da música francesa mudou depois que passou a viver na França? Como isso se reflete na sua interpretação no palco?
Morar na França me tornou mais brasileira. O contraste me fez reforçar minha cultura, meu jeito, minha visão e até meu estilo.
Tenho muito orgulho de ser brasileira, da nossa doçura, leveza e alegria natural. E isso se reflete na minha interpretação, sim. Me percebo interpretando de maneira mais vulnerável e transparente, e isso acaba mudando a energia do show para melhor.
Adriana de Barros: O show em Belo Horizonte conta com a participação do chileno Samuka Cartes. Como essa mistura de nacionalidades (brasileira, chilena, cubana e francesa no repertório) enriquece a proposta do “Vive La Chanson”?
Esta mistura enriquece muito. Cada um tem uma personalidade muito única e, mesmo com arranjos similares, o jeito de tocar deles, as pausas, os acentos, os solos, introduções e improvisações são tão diferentes que parece outro show.
Quando Samuka entrou na turnê, ensaiamos o show do zero por muitos dias até ajustarmos a nova releitura deste duo.
Na última turnê, teve um fã que viajou para ver todos os shows e disse que achou incrível como cada apresentação era tão diferente uma da outra despertando emoções distintas.
Adriana de Barros: Entre clássicos de Brigitte Bardot e Serge Gainsbourg, existe alguma canção específica no setlist que tenha um significado pessoal mais forte para você neste momento?
Recentemente fui muito tocada por uma música contemporânea que ficou bastante conhecida no mundo: Voilà, da Barbara Pravi e Lili Poe.
Além de ser linda e ter uma melodia viciante, a letra fala exatamente o que todo artista sente ou já sentiu nesta linda e árdua carreira.
Na música, ela faz um pedido para que a escutem, para que percebam essa alma que nasceu para cantar e emocionar; essa vocação de se jogar no mundo sem rede, sem perspectiva. Mostra que, muitas vezes, a realização vem acompanhada de uma profunda solidão e incerteza; que sucesso e fracasso andam juntos, mas que independente de um ou outro, nossa escolha é inevitavelmente o palco, mesmo que isso signifique saltar no completo escuro.
Achei essa música de uma verdade, delicadeza e coragem raras. Gostaria de tê-la escrito, pois tirou palavras da minha boca, e por isso a canto com tanta emoção.
Essa música poderia facilmente ter sido interpretada por Édith Piaf, que, assim como eu, escolhia suas músicas por afinidade emocional.
Adriana de Barros: O encerramento da turnê será no Blue Note São Paulo. O que o público paulistano pode esperar de mais marcante nessas apresentações que fecham o ciclo da turnê no Brasil?
O show do dia 18 traz o formato completo e a formação original do projeto: Zeli Silva no baixo e Hanser Ferrer no piano.
Como tocamos juntos há muitos anos, temos uma liberdade e uma leveza que só a estrada traz. Os improvisos e solos, possíveis apenas neste formato, se unem à precisão desses dois instrumentistas espetaculares, o que me dá segurança para que a interpretação seja a mais livre possível, e isso se reflete na potência da voz e da performance em geral. Por isso, é o show mais especial. Fortes emoções!
Serviço
Edith Piaf por Lia Paris: um tributo às Divas Francesas
Onde: Casa Outono Café & Cultura – Rua Outono, 571 – Belo Horizonte, MG
Quando: 23 de maio, 21h
Inf: https://www.sympla.com.br/evento/edith-piaf-por-lia-paris-um-tributo-as-divas-francesas/3373241?utm_source=ig&utm_medium=social&utm_content=link_in_bio&referrer=l.instagram.com&referrer=l.instagram.com
Édith Piaf por Lia Paris
Onde: Blue Note Rio de Janeiro – Avenida Atlântica, 1910 – Copacabana | Rio de Janeiro – RJ
Quando: 6 de junho, 20h
Inf: https://www.eventim.com.br/artist/blue-note-rio/edith-piaf-por-lia-paris-4113199/
Édith Piaf por Lia Paris
Quando: 18 de junho, 20h e 22h
Onde: Avenida Paulista 2073 – 2º Andar – Consolação – São Paulo/SP
Inf: https://www.eventim.com.br/artist/blue-note-sp/tributo-edith-piaf-por-lia-paris-o-show-mais-romantico-de-sp-4112239/