
O Horto Florestal, na Zona Norte de São Paulo, recebe a mostra “Vivacidade: arte, cidade e meio ambiente”. A partir do próximo dia 21 de maio, instalações interativas e generativas, além de obras audiovisuais que criam narrativas socioambientais estarão expostos no local, estimulando experiências coletivas.
As obras de arte digital que ampliam o olhar crítico sobre os impactos da vida urbana nos ecossistemas naturais estarão espalhadas pelo parque, composto por Mata Atlântica, com temas como a impermanência da vida, os elementos da natureza e sobre como a humanidade faz parte do ecossistema natural.
Com curadoria de Marília Pasculli, da Verve Cultural, o projeto propõe um diálogo entre arte, sociedade, tecnologia e meio ambiente. Além da mostra no Horto, que celebra 130 anos em 2026, esta 3ª edição da “Vivacidade” contará ainda com os eventos complementares abaixo.
Entre 15 e 16 de maio, as obras de arte digital, que irão para o Horto posteriormente, estarão expostas na Plano Studio Galeria, na Barra Funda, com DJ e VJ sets e uma performance audiovisual.
Conheça as obras de arte digital:
ElementAIs (2026)
Artista: Marlus Araújo

Instalação interativa que traduz os cinco elementos da natureza em alucinações visuais. ElementAIs simula o crescimento e o movimento de organismos como fungos, plantas e répteis da Mata Atlântica na região do Parque Horto Florestal, criando padrões generativos que respondem em tempo real aos gestos das mãos dos visitantes.
A obra combina sensor de movimento com o sistema de reaction-diffusion (RD), uma inteligência artificial que atua como um “motor biológico”, gerando imagens contínuas a partir de padrões celulares.
Ao mesmo tempo em que oferece uma experiência sensorial imersiva, a instalação convida à contemplação crítica da biodiversidade diante da rápida expansão das áreas urbanas e do colapso climático.
Terramorfose (2026)
Artista: Vini Fabretti
A obra convida o participante a colocar cabeça e ombros dentro da escultura e, a partir desse interior prismático, o espectador não é mais apenas observador: torna-se elemento ativo de uma ecologia ampliada. Este prisma hexagonal nos faz um convite urgente: entender o mundo por meio de uma cosmovisão, diferente do habitual modo de vida contemporâneo. É como metáfora sensorial: ao nos vermos multiplicados entre folhas, asas, caules e células microscópicas, lembramos que não estamos à parte da natureza, mas imersos nela.
A Natureza do Movimento (2024)
Artista: Chebel
Obra audiovisual que funciona como uma meditação poética sobre a impermanência. A combinação de animação e arte generativa explora os ritmos sutis da transformação e a beleza efêmera do mundo natural. Seu percurso revela como cada vida carrega em si a potência de nascer, se dissolver e renascer em outra. As formas surgem, se dissolvem e se transformam continuamente, evocando ciclos de vida, tempo e movimento.
Quem salvará nossos deuses? (2026)
Artista: Chico Abreu

A obra audiovisual conduz o espectador por monumentos e santuários de diversas culturas: pirâmides astecas, santuários budistas, o Cristo Redentor, templos greco‑romanos… Todos submersos no oceano, dentro de um contexto pós‑apocalíptico em que a humanidade foi extinta e o planeta tornou‑se um arquivo líquido de memórias culturais. O artista convida a imaginar um futuro em que a ação humana desencadeou mudanças climáticas irreversíveis e enfatiza que a responsabilidade é coletiva e transnacional.
Conheça a obra visual:
Maré Morta (2025)
Artista: GYULYIA

“Maré Morta” é uma vídeo-instalação que transforma dados científicos sobre espécies marinhas ameaçadas em paisagens audiovisuais. Em dois atos, combina arte generativa, animação 2D/3D e Unreal Engine para narrar o colapso dos oceanos. Cada partícula representa uma vida em risco, enquanto criaturas 3D atravessam um mar belo e instável, cortado por glitches que expõem o extrativismo.
A obra convoca o público a sentir responsabilidade ecológica compartilhada.
Mimosa Pudica (2025)
Artista: Henrique Vaz
Partindo da planta Mimosa e sua capacidade de memória, o vídeo explora sistemas sensíveis não humanos por meio de simulações visuais e síntese sonora. A obra tensiona as fronteiras entre natureza e tecnologia, propondo uma leitura da cidade como ecossistema híbrido, onde processos invisíveis de adaptação, resposta e convivência emergem continuamente.
O que nos conecta e o que nos separa? (2026)
Artista: Via
Vivemos hoje em uma realidade profundamente mediada por tecnologias digitais, em que a conexão assume múltiplos significados. Ao mesmo tempo em que estamos constantemente ligados por redes, fluxos de dados e imagens, também experienciamos formas profundas de separação.
A obra investiga o paradoxo entre conexão e separação na era digital, por meio da obra exposta em tela de LED em meio ao parque Horto Florestal. Ao contrapor o fluxo orgânico do parque com a presença luminosa do pixel, a obra transforma fragmentos íntimos da artista em portais que tensionam presença e ausência, proximidade e distância entre o físico e o digital.
A tela deixa de ser mero suporte e assume o papel de dispositivo que simultaneamente une e divide, convidando o público a atravessar camadas invisíveis da realidade contemporânea. Nessa sobreposição de corpos, paisagens e tecnologias, a peça sugere um fluxo contínuo que conecta todas as coisas.
Serviço:
“Vivacidade: arte, cidade e meio ambiente” – mostra expositiva no Horto Florestal
Quando: 21 de maio a 04 de junho de 2026, das 9h às 18h
Onde: Horto Florestal (Parque Estadual Alberto Löfgren) – Rua do Horto, 931 – Horto Florestal, São Paulo
Entrada gratuita
“Vivacidade: arte, cidade e meio ambiente” – pré-estreia
Datas e horários:
15 de maio (sexta) das 18h às 23h
16 de maio (sábado) das 13h às 19h
Onde: Plano Studio Galeria – Rua Dr. Sérgio Meira, 60 – Barra Funda, São Paulo – SP
Entrada gratuita
SOBRE A VIVACIDADE
O projeto Vivacidade foi realizado pela primeira vez em 2013 e, desde então, realiza exposições coletivas de artes digitais em parques e espaços públicos da cidade de São Paulo, como o Parque Burle Marx e a fachada do edifício Fiesp.
As obras, de artistas e coletivos, usam programação, mídias digitais e interatividade como suporte para conduzir trabalhos que dialogam com narrativas socioambientais. A cidade é tela, a natureza é inspiração.
As mostras Vivacidade atuam como um organismo vivo e mutável, que aborda a relação entre as pessoas, a vida nos centros urbanos e o impacto no mundo natural, provocando questionamentos sobre a qualidade do ar e das águas, as mudanças climáticas e a importância da vida não humana.