Cultura e Variedades Arte de Rua Lifestyle Podcasts Rolês

Reeperbahn 2026: 10 shows e 5 ideias que trouxemos de Hamburgo

Para onde a música está indo?

Foi com essa pergunta que chegamos ao Reeperbahn Festival 2026, em Hamburgo, depois de coberturas do SXSW, HackTown e Web Summit Rio.

Durante quatro dias, atravessamos St. Pauli entre clubes, entrevistas, showcases e encontros com profissionais da indústria. Encontramos um festival com cerca de 425 atrações de 44 países, aproximadamente 540 shows e 45 mil visitantes.

Voltamos com uma conclusão: o futuro da música não segue uma única direção. E talvez essa seja a melhor notícia.

Os 10 melhores shows que vi no Reeperbahn 2026

Reeperbahn
Reeperbahn 2026

Entre apostas confirmadas e descobertas inesperadas, estes foram os dez shows que mais ficaram comigo.

1. Agatha is Dead! — Alemanha

Post-punk sombrio, urgente e atmosférico. Depois de descobrir a banda no SXSW 2026, reencontrá-la em Hamburgo mostrou como novos artistas atravessam o circuito global de showcases. (16/09, Bahnhof Pauli)

2. Victory Kid — Estados Unidos

Ska, skate punk, reggae e energia californiana, com letras que também abordam questões sociais. Uma banda feita para incendiar palcos, que tivemos a oportunidade de entrevistar. (17/09, Baalsaal)

3. Jamaica Moana — Austrália / Māori-Samoana

Rap, R&B, ballroom e ancestralidade numa performance poderosa. Uma artista que transforma identidade cultural em linguagem contemporânea. Também conversamos com ela durante o festival. (18/09, Molotow — Aussie BBQ)

4. Better Joy — Reino Unido

Bria Keely trouxe de Manchester um indie-rock melódico, sensível e cheio de personalidade. Uma apresentação especial dentro de uma igreja, revelando uma artista pronta para palcos maiores. (19/09, St. Pauli Kirche)

5. LudoWic — Holanda

Um laboratório musical ao vivo: sintetizadores analógicos, gravadores de fita e instrumentos históricos como o Trautonium. Eletrônica experimental onde máquinas e manipulação física do som viram espetáculo. (17/09, Molotow — Dutch Impact Party)

6. The Boondocks — Estônia

Guitarras, post-punk, rock’n’roll e melodias de inspiração britânica. Uma banda que combina referências clássicas com personalidade própria e muita presença de palco. (16/09, Baalsaal)

7. Das Beat — Alemanha/Canadá

Electroclash, new wave e Italo disco numa mistura irresistível de passado e futuro. Berlim traduzida em sintetizadores, dança e atitude. (16/09, BETTY)

8. WRKHOUSE — País de Gales

Alt-pop bilíngue, dream pop e produção eletrônica atmosférica. Um exemplo de como preservar uma identidade regional sem abrir mão de uma sonoridade internacional. (17/09, Sommersalon)

9. GANNA — Ucrânia/Alemanha

Tradições musicais ucranianas reinventadas através do jazz, improvisação e eletrônica. Uma apresentação marcante, posteriormente reconhecida com o Anchor Award 2026. (17/09, Mojo Club)

10. Seers of Light — Hungria

Metal progressivo melódico, riffs pesados e vocais femininos. Uma descoberta ligada ao showcase do Wacken Open Air, conectando o universo do metal ao Reeperbahn. (17/09, Bahnhof Pauli)

Dez shows completamente diferentes. Do punk californiano à música tradicional ucraniana, passando pela eletrônica holandesa e pela cena ballroom australiana.

Playlist 10 melhores shows do Reeperbahn 2026

Essa diversidade talvez explique melhor o Reeperbahn do que qualquer definição institucional.

 

Cinco ideias que trouxemos de Hamburgo

1. O futuro da música continua acontecendo em salas pequenas

Boa parte das descobertas aconteceu em clubes para algumas centenas de pessoas. Espaços onde ainda é possível encontrar uma banda desconhecida e perceber, sem algoritmos, que algo importante está acontecendo.

Poucos dias depois, seguimos em turnê com o Asfixia Social. E as discussões sobre indústria musical viraram gasolina, van, hospedagem, cachês e público. O futuro da música depende tanto da sobrevivência desses pequenos palcos quanto das novas tecnologias.

2. Quanto mais local, mais global

Jamaica Moana, GANNA, Das Beat e WRKHOUSE demonstraram que internacionalização não precisa significar padronização. Pelo contrário: artistas com identidades culturais fortes conseguem construir linguagens capazes de atravessar fronteiras.

A globalização musical fica muito mais interessante quando não transforma todo mundo na mesma coisa.

3. O músico virou dataset?

Uma das entrevistas mais importantes foi com François Pachet, pioneiro da inteligência artificial aplicada à criação musical. O encontro aprofundou questões que já havíamos debatido no HackTown 2026.

A discussão ultrapassa ser contra ou a favor da IA. Quem controla os dados? Quem autorizou o treinamento? Quem recebe, quem é creditado e quem controla as plataformas?

A tecnologia nunca chega sozinha. Ela traz modelos econômicos e disputas de poder.

4. A Europa não é um mercado único

No encontro Meet the European Festivals, participamos de onze reuniões com representantes de festivais europeus em menos de duas horas.

Foi uma demonstração prática de como showcases também funcionam como infraestrutura de conexão. Alemanha, França, Reino Unido, Holanda e Europa Oriental possuem circuitos diferentes.

Para um artista brasileiro, talvez a pergunta correta não seja como entrar na Europa, mas em quais cenas é possível construir relações reais e duradouras.

5. O Brasil precisa participar das decisões

Nossa música já influencia o mundo, mas presença cultural não significa necessariamente participação nas estruturas internacionais de decisão.

O Sul Global precisa ocupar esses espaços como produtor, curador, programador, empresário e proprietário de sua criação — não apenas como fornecedor de sons, artistas e dados.

De Austin ao HackTown, do Web Summit Rio a Hamburgo, encontramos diferentes perspectivas sobre uma transformação em andamento.

E para onde vai a música?

O futuro está sendo disputado simultaneamente por artistas, plataformas, governos, festivais, clubes e empresas de tecnologia.

A grande questão continua sendo quem terá poder, quem será ouvido, quem será remunerado e quem conseguirá continuar criando e circulando. Saímos de Hamburgo com mais perguntas do que respostas.

Para um festival dedicado à descoberta, talvez esse seja exatamente o resultado que procurávamos.

Próxima parada: Paris. MaMA Music & Convention.

A viagem continua.

 

Compartilhe

Siga no Instagram

◎

Instagram

@dribarrosreal

Acompanhe os últimos posts, bastidores, novidades e atualizações da Adriana de Barros no Instagram.

Ver no Instagram

Assista

Acompanhe os programas e projetos de Adriana de Barros.

Programa Mistura
▶

Mistura

Assista aos episódios e conteúdos do programa Mistura no YouTube.

Podcast Afiadas
▶

Afiadas

Assista aos episódios de Afiadas no YouTube ou acompanhe pelo Spotify.

Edit Template

Afiadas

Minha Playlist do Mês

© 2026 Adriana de Barros