Ao lado da artista palestina Mona Miari, o principal arquiteto conceitual de The Wall transforma um clássico do Pink Floyd em testemunho sobre Gaza — e lembra que uma obra viva não é uma peça de museu Existe uma espécie de fundamentalismo entre os fãs de rock. Depois que determinada música é elevada à condição de clássico, qualquer tentativa de modificá-la passa a ser tratada como profanação. Trocar o arranjo, retirar um solo, mudar uma palavra ou acrescentar um novo significado parece, para alguns, quase um atentado contra o patrimônio histórico da humanidade. Roger Waters acaba de cometer todos esses “crimes”. Em “Comfortably Numb Re-Imagined”, realizada com a artista palestina Mona Miari, Waters desmonta um dos monumentos do Pink Floyd. Retira o célebre solo de guitarra, abandona a grandiosidade do rock de arena, introduz versos em árabe, incorpora melodias do Oriente Médio e transforma a experiência individual de alienação narrada em The Wall numa denúncia da anestesia coletiva diante da destruição de Gaza. A faixa chegou às plataformas em 12 de junho de 2026, depois de ter sido apresentada em Nova York, e ganhou um filme oficial em 17 de junho. A pergunta original — “há alguém aí dentro?” — deixa de ser dirigida apenas ao personagem Pink e passa a atingir um mundo que assiste diariamente ao sofrimento palestino por meio de telas, notificações e números. A alteração mais simples é também a mais poderosa. O verso “I have become comfortably numb”, “tornei-me confortavelmente anestesiado”, transforma-se em “I will never become comfortably numb”: “jamais me tornarei confortavelmente anestesiado”. Não se trata de uma mudança decorativa. É a inversão completa do sentido dramático da canção. Em 1979, Pink (personagem do filme homônimo) era medicado para continuar funcionando, mesmo emocionalmente destruído. Em 2026, Waters e Miari recusam essa medicação moral. A nova versão não descreve a anestesia: combate-a. Mona Miari não aparece como uma convidada utilizada para conferir autenticidade a um projeto de uma estrela britânica. Sua voz reorganiza a música. Ela responde, em árabe, às perguntas da composição original, fala de liberdade, deslocamento, memória, raízes que rompem os escombros e da possibilidade de reconstruir uma identidade depois da destruição. Um dos momentos centrais é “Hind’s Lullaby”, uma conversa imaginária entre a menina palestina Hind Rajab e sua mãe. Nela Miari explicou que pensou na nova letra como uma resposta às perguntas de Waters: diante das ruínas de Gaza, de que adiantaria continuar perguntando se ninguém estivesse disposto a encarar a resposta? O filme amplia essa relação. De um lado, Waters e Miari aparecem no estúdio. Do outro, Gaza é mostrada pelos olhos de profissionais palestinos que filmaram seu próprio território. Não são imagens genéricas compradas em arquivos internacionais. A equipe trabalhou dentro de Gaza e, segundo os responsáveis pelo projeto, enfrentou bombardeios e interrupções constantes de comunicação durante as gravações. Assim, as ruínas não funcionam como cenário para a celebridade. São parte da autoria da obra. Os recursos associados ao projeto são destinados ao Palestine Children’s Relief Fund, organização humanitária que oferece atendimento médico, tratamentos, apoio psicológico, alimentos, água e assistência a crianças e famílias palestinas. A obra, portanto, não se limita ao gesto simbólico de publicar uma mensagem. Ela conecta visibilidade artística e ajuda material. A recepção foi inevitavelmente dividida. Parte da imprensa identificou na gravação uma transformação coerente do clássico: a solidão de Pink passa a representar a solidão de um povo, e a apatia da personagem torna-se metáfora para a indiferença política internacional. A Billboard Italia descreveu o encontro entre Waters e Miari como um diálogo no qual o músico reconhece a demora do Ocidente em ouvir os palestinos. Uma crítica publicada em julho classificou a faixa com quatro estrelas e considerou que Waters conseguiu produzir uma releitura musicalmente forte mesmo sem o elemento mais famoso da gravação original: a guitarra de David Gilmour. Outros reagiram como se Roger Waters tivesse invadido o Museu do Rock durante a madrugada e vandalizado uma relíquia. Alguns fãs disseram que ele havia “massacrado” o clássico, acusado o músico de agir por ego e reclamado da ausência do solo de Gilmour. A crítica musical misturou-se rapidamente à velha guerra civil entre os admiradores das duas principais partes criativas do Pink Floyd. É necessário, então, colocar os fatos no lugar. “Comfortably Numb” não foi composta exclusivamente por Roger Waters. A gravação original é assinada por Waters e David Gilmour. A letra e a situação dramática nasceram de Waters; Gilmour foi fundamental na construção musical e eternizou a faixa com sua voz e sua guitarra. A ausência de seu nome nos créditos apresentados pela nova versão é uma questão legítima e merece ser discutida. Mas reconhecer Gilmour não exige diminuir Waters. Roger foi fundador do Pink Floyd, principal letrista da banda depois da saída de Syd Barrett e força conceitual dominante na fase que produziu The Dark Side of the Moon, Wish You Were Here, Animals, The Wall e The Final Cut. O Rock & Roll Hall of Fame define os álbuns conceituais daquele período como trabalhos arquitetados por Waters em colaboração com Gilmour, Richard Wright e Nick Mason. Mais especificamente, The Wall é inseparável da biografia, das obsessões e da visão política de Roger Waters. A guerra que matou seu pai, o autoritarismo escolar, a solidão, a fama, a violência do espetáculo, a construção de inimigos e a transformação da frustração em fascismo pertencem à arquitetura narrativa criada por ele. Portanto, Waters não sequestrou um monumento do Pink Floyd. Ele abriu uma nova porta num edifício que ele, mais do que ninguém, ajudou decisivamente a construir. Artistas regravam, rearranjam e reinterpretam o próprio repertório. Uma composição não precisa permanecer congelada no instante de sua primeira gravação. A versão de 1979 continua existindo, intacta, com a voz e os solos de Gilmour. Ninguém perdeu o original porque surgiu uma nova leitura. O ouvinte não é obrigado a escolher entre uma e outra. Aliás, a nova versão não pretende substituir a antiga. Ela executa outro trabalho. A original representa a fragmentação de um
Rockarioca: o movimento que mantém o Rio em estado de amplificação
Criado durante a pandemia, o coletivo transformou playlists, pesquisa musical e encontros entre artistas em um circuito permanente para o rock independente do Rio de Janeiro Quando se fala em rock carioca, ainda é comum que a memória viaje automaticamente para outras décadas. Barão Vermelho, Blitz, Paralamas do Sucesso, O Rappa, Planet Hemp e tantas bandas que ajudaram a construir a identidade musical da cidade seguem como referências incontornáveis. O problema começa quando essa história é tratada como se tivesse terminado. Enquanto boa parte da indústria cultural olha para o passado, dezenas de artistas continuam compondo, gravando discos, produzindo videoclipes e ocupando pequenos palcos espalhados pelo Rio e pela Região Metropolitana. É nesse território vivo, diverso e geralmente distante dos grandes holofotes que atua o Rockarioca. Criado em outubro de 2020 pelo músico, DJ e produtor Pedro Serra, o movimento surgiu em um dos momentos mais difíceis para a música independente. Com casas fechadas e shows interrompidos pela pandemia, artistas que já enfrentavam dificuldades de circulação perderam também seu principal espaço de encontro com o público. A reação foi criar uma rede que reunisse inicialmente cerca de 25 bandas e artistas de diferentes gerações, estilos e regiões do estado. O que começou no ambiente digital logo se transformou em uma plataforma permanente de descoberta, documentação e articulação. O Linktree do Rockarioca reúne playlists no Spotify e YouTube, registros de shows, videoclipes, entrevistas, programas e projetos voltados tanto para a produção atual quanto para a memória do rock feito no Rio. Nas redes sociais, o trabalho foi estruturado como uma programação editorial. Havia espaço para novidades musicais, histórias sobre instrumentos, apresentação de bandas externas ao coletivo, recuperação da memória de antigos festivais, estúdios e casas de shows, além de comentários de artistas sobre discos importantes em suas formações. Mais do que divulgar lançamentos, o Rockarioca passou a construir contexto. Uma playlist como retrato da cidade A playlist principal do movimento funciona como uma fotografia em permanente atualização. Em julho de 2026, ela reunia 28 músicas, passando por nomes como Canto Cego, Banda Gente, Magma Velvo, Estranhos Românticos, Katia Jorgensen, Barba Ruiva, Melvin & os Inoxidáveis, Luiz Lopez, O Grito, Ladrão, Mauk & os Cadillacs Malditos, Anacrônicos, Katina Surf, Os Vulcânicos, Funeral Macaco, Korja, Cidade Partida, Homobono, The Dead Suns e A Grande Trepada, entre outros. Ouvir a seleção é perceber que “rock carioca” não representa uma sonoridade única. Dentro desse território convivem garage rock, punk, power pop, psicodelia, shoegaze, música eletrônica, samba, MPB, reggae, experimentação e diferentes aproximações com a música negra e periférica. Essa diversidade já estava evidente no primeiro Festival Rockarioca, realizado em 2022 na Audio Rebel. A programação reuniu a MPB-pop-rock de Guga Bruno, o indie com referências de bossa e rock de Barba Ruiva, o power pop de Melvin & os Inoxidáveis, o garage punk dos Vulcânicos, o rock psicodélico de O Grito, o indie tropical dos Estranhos Românticos e o shoegaze do Katina Surf. O repertório revela também uma cartografia mais ampla do Rio. O movimento não está limitado à Zona Sul nem a uma imagem turística da cidade. Artistas vindos ou conectados à Cidade de Deus, Mesquita, Nilópolis, Niterói, Lapa, Zona Norte, Zona Sul e outros territórios já passaram por suas programações. No segundo festival, por exemplo, Compay Oliveira, da Cidade de Deus, apresentou sua combinação de samba, rock e música eletrônica; a Banda Gente, formada por músicos do subúrbio e da Baixada Fluminense, levou um rock negro ligado a referências ancestrais e periféricas; a Trash No Star representou Nilópolis com guitarras distorcidas, punk e lo-fi; enquanto integrantes de Mauk & os Cadillacs Malditos conectavam Lapa, Niterói e Zona Sul. A força do Rockarioca está justamente em reunir o que muitas vezes aparece fragmentado. Bandas jovens dividem espaço com músicos que atravessaram diferentes períodos da cena. Trabalhos experimentais convivem com canções mais diretas. Artistas conhecidos dentro do circuito independente apresentam grupos que ainda estão dando seus primeiros passos. Da internet para os palcos O passo decisivo aconteceu quando essa rede digital ganhou presença física. Em julho de 2023 começou o Rockarioca Convida, evento realizado mensalmente no La Esquina, na Lapa. A proposta inicial era colocar uma banda ligada ao coletivo ao lado de um artista convidado, ampliando o intercâmbio e criando um ponto de encontro para músicos, produtores e público. A regularidade transformou a noite em uma pequena instituição da cena independente carioca. Em julho de 2026, o projeto chegava à 34ª edição, tendo promovido mais de 70 apresentações de bandas e DJs. A programação recente ajuda a dimensionar essa circulação. Somente em 2026, passaram ou foram anunciados pelo Rockarioca Convida artistas como Tacy, Guga Bruno, Lina Cosmic & Lomiranda, Os Barra Mansa, Katina Surf, Trama, Venuz, Risca Faca, Morcegula e A Grande Trepada. Paralelamente, o Festival Rockarioca tornou-se um encontro anual na Audio Rebel, em Botafogo. A quarta edição, realizada em outubro e novembro de 2025, reuniu Boa Noite Cinderella, Maverick Benedicto, Líbera, Abrahones e os Incuráveis, Macaco Sapiens, Dony Von, Anacrônicos e Flores de Plástico. A existência desses eventos mostra que uma playlist pode ser muito mais do que uma sequência de músicas. Quando existe curadoria, continuidade e presença territorial, ela pode funcionar como porta de entrada para um ecossistema: o ouvinte descobre uma banda, acompanha seu lançamento, assiste ao show, compra um disco ou uma camiseta e passa a conhecer outros artistas daquela rede. Independência não significa isolamento A música independente costuma ser descrita a partir daquilo que não possui: grandes gravadoras, investimentos robustos, execução intensa nas rádios ou presença constante nos principais festivais. O Rockarioca propõe outra leitura. A independência também pode significar capacidade de articulação, produção de memória, troca de conhecimento, ocupação de espaços e construção direta de público. A cena não é formada apenas por quem sobe ao palco. Ela depende de casas como a Audio Rebel e o La Esquina, de produtores, fotógrafos, jornalistas, DJs, técnicos, selos, designers, realizadores audiovisuais e, principalmente, das pessoas que continuam saindo de casa para conhecer um artista que ainda não ganhou
Budgie abre a porta da casa dos Banshees: a autobiografia que revela o lado humano de uma das maiores bandas da história do pós-punk
Existem bandas que marcaram uma geração. Existem bandas que criaram um gênero. E existem poucas que conseguem fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Siouxsie and the Banshees pertencem a esse segundo grupo. Ao lado de Joy Division, The Cure, Bauhaus e Killing Joke, os Banshees ajudaram praticamente a definir a linguagem do pós-punk. Sua influência atravessa décadas e pode ser ouvida em artistas tão diferentes quanto Radiohead, PJ Harvey, Massive Attack, Garbage, Interpol e Savages. No centro dessa história sempre esteve uma figura quase mítica: Siouxsie Sioux. Diferentemente de muitos artistas de sua geração, Siouxsie sempre cultivou uma aura de mistério. Concedeu inúmeras entrevistas ao longo da carreira, mas raramente falou sobre sua vida pessoal. Mesmo após o fim dos Banshees e dos Creatures, preferiu deixar que sua obra falasse por ela. É justamente por isso que a autobiografia de Budgie, The Absence: Memoirs of a Banshee Drummer, provoca tanta discussão entre os fãs. Lançado em inglês em 2025, ainda sem edição brasileira ou tradução para o português, o livro acabou se tornando uma das poucas fontes de primeira mão sobre a intimidade de uma das relações mais importantes da história do rock alternativo. Mas quem espera um livro de fofocas encontra algo bem diferente. Budgie escreve como músico. Como sobrevivente. E principalmente como alguém tentando entender a própria vida. Muito antes de ser “o marido da Siouxsie” Peter Edward Clarke — o Budgie — já era um nome conhecido na cena punk inglesa antes mesmo de entrar nos Banshees. Depois de tocar nos Spitfire Boys e no Big in Japan, Budgie gravou com as Slits o histórico álbum Cut, desenvolvendo um estilo de bateria completamente diferente do rock tradicional. Seu jeito de tocar era quase tribal. Mais percussivo do que técnico. Mais emocional do que virtuoso. Foi justamente essa abordagem que chamou a atenção quando entrou nos Siouxsie and the Banshees, em 1979, inicialmente para substituir Kenny Morris durante a turbulenta turnê do álbum Join Hands. Embora não fosse integrante da formação original, rapidamente se tornou o baterista definitivo da banda. Para muitos fãs, simplesmente não existe a fase clássica dos Banshees sem Budgie. Discos como Kaleidoscope, Juju, A Kiss in the Dreamhouse, Hyæna, Tinderbox e Peepshow ajudaram a transformar o grupo em uma referência absoluta do pós-punk. Mais tarde, ele e Siouxsie criariam também The Creatures, projeto paralelo muito mais experimental, baseado inicialmente quase exclusivamente em voz e percussão. Ali, pela primeira vez, a relação artística entre os dois parecia completamente equilibrada. Não existia “a banda da Siouxsie”. Existia uma dupla. Muito além da música O livro mostra como trabalho e vida pessoal se tornaram praticamente impossíveis de separar. Eles eram casal. Compunham juntos. Gravavam juntos. Saíam em turnê juntos. Administravam problemas financeiros juntos. Enfrentavam empresários, gravadoras e mudanças de formação juntos. Pouquíssimos casais passaram tanto tempo vivendo praticamente vinte e quatro horas por dia lado a lado. Essa proximidade extrema, que durante anos alimentou uma criatividade impressionante, acabou se transformando também em uma prisão emocional. Budgie descreve uma relação construída sobre enorme cumplicidade, mas também sobre inseguranças, dependência afetiva, abuso de álcool e uma rotina exaustiva de turnês. Os dois bebiam muito. Durante anos. Em diversos momentos, ele reconhece que o álcool passou a ser uma forma de anestesiar ansiedade, frustrações e conflitos que nunca eram realmente resolvidos. Não há tentativa de esconder isso. Pelo contrário. Talvez a maior qualidade do livro seja justamente admitir seus próprios erros antes de apontar os da parceira. A mulher por trás do ícone Quem conhece apenas a figura pública de Siouxsie encontra aqui uma imagem muito mais humana. Ela aparece extremamente inteligente. Controladora em alguns momentos. Muito sensível em outros. Carismática. Generosa. Criativamente obsessiva. Também aparece irritada, insegura, cansada e profundamente afetada pelos excessos da vida na estrada. É justamente essa humanização que gerou polêmica. Muitos fãs acusaram Budgie de expor demais a antiga companheira. Mas é difícil imaginar como contar quase três décadas de vida em comum sem contar também a história da pessoa com quem ele dividiu praticamente tudo. Ele nunca escreve para ridicularizá-la. Ao contrário. Mesmo nos capítulos mais dolorosos, deixa evidente o respeito que continua tendo por ela como artista. O reconhecimento pela importância de Siouxsie na música nunca desaparece. Existe, evidentemente, uma questão sem solução: o livro apresenta a versão de Budgie sobre uma relação íntima com uma artista que sempre preservou essa parte de sua vida e que não publicou sua própria versão dos acontecimentos. Ainda assim, minha leitura não foi a de um ajuste de contas. O Brasil como ponto de virada Um dos capítulos mais fortes do livro acontece justamente no Brasil. Não por causa de um grande show. Nem por alguma história extravagante de turnê. Mas porque Budgie identifica essa passagem pelo país como um momento decisivo para reconhecer que havia perdido o controle sobre o álcool. Segundo o episódio narrado por ele no livro, durante a passagem dos Banshees pelo Rio de Janeiro, nos anos 1990, o relacionamento já apresentava sinais claros de desgaste. As discussões eram constantes. O consumo de bebida havia se tornado parte da rotina. E o músico percebe que está repetindo comportamentos que já não consegue controlar. Budgie relata episódios constrangedores, uma discussão intensa com Siouxsie no hotel e uma profunda sensação de culpa. Em uma tentativa quase desesperada de reparar a situação, conta ter comprado um anel na H.Stern, no Rio de Janeiro. O gesto simboliza muito mais do que um presente. É uma tentativa de pedir perdão. De recuperar algo que ambos pareciam sentir escapar lentamente. De consertar com uma joia aquilo que já não podia ser resolvido apenas por meio de gestos românticos. Mas o próprio Budgie reconhece que presentes não resolvem problemas estruturais. Naquele período, o relacionamento já carregava muitos anos de tensões acumuladas. Os dois praticamente viviam para a banda. Dormiam separados durante muitas turnês. Tinham rotinas diferentes. Passavam meses viajando. A música, que havia unido o casal, começava também a separá-los. É nesse contexto que Budgie começa a


