
Falar da música baiana e da percussão brasileira no cenário global é, inevitavelmente, cruzar o caminho de Dendê Macêdo. O artista baiano radicado nos Estados Unidos tem mais de 30 anos de carreira e uma trajetória que passa por mais de 20 países em quatro continentes, Dendê é muito mais do que um instrumentista. O artista é um verdadeiro guardião das raízes afro-brasileiras e, ao mesmo tempo, um alquimista da inovação sonora.
Nascido no bairro da Federação, em Salvador, o menino que ganhou o apelido de Carlinhos Brown após um ensaio da Timbalada (ficando “vermelho de vergonha” e comparado à cor do azeite de dendê) cresceu para se tornar uma referência internacional. Seja liderando sua banda, colaborando com nomes como Gilberto Gil, Marisa Monte, David Byrne e Sepultura, ou ministrando workshops em instituições renomadas como a Juilliard School e o Lincoln Center, ele carrega na baqueta a força de sua formação espiritual como Ogã do Candomblé.
Mas a criatividade de Dendê não para nos tambores tradicionais. Em projetos como o Sons Reciclados, ele transforma lixo urbano — baldes, garrafas, caixas de pizza e pedaços de metal — em instrumentos pulsantes, criando até mesmo o Raw Trash Snare, incorporado à linha oficial da marca Latin Percussion. Além disso, sua parceria com Daniel Belquer no projeto Sintonia explora as fronteiras entre a percussão afro-brasileira, a eletrônica ao vivo e esculturas sonoras imersivas guiadas pela água.
Recentemente, troquei uma ideia com esse mestre sobre ancestralidade, os desafios de transitar entre a Bahia e os Estados Unidos, o poder transformador da música e os bastidores de sua discografia.
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