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Chico Chico une sofisticação e malandragem em tributo a Luiz Melodia

Chico Chico


Sempre achei que a obra de Luiz Melodia (1951-2017) deveria ser melhor aproveitada, mais ouvida e mais lembrada. Qualquer tributo a ele ainda parece pouco diante de sua grandeza, mas o que Chico Chico apresentou na tarde de domingo (12), no palco do Teatro Paulo Autran, no Sesc Pinheiros, esteve perfeitamente à altura desse legado. Onde há Chico Chico, a sensibilidade natural transborda, e assistir um artista da nova geração interpretar esse repertório de maneira tão respeitosa e emocionante só evidencia a potência eterna do poeta do Estácio.

A leveza e simplicidade de Chico Chico e sua voz potente combinam perfeitamente com o universo de Melodia. Essa sintonia ficou evidente ao longo de uma hora de show, conduzido para uma plateia formada majoritariamente por um público maduro.

O repertório foi um desfile de clássicos. Músicas como “Magrelinha”, “Vale Quanto Pesa” e “Estácio Holly Estácio” foram entoadas por uma plateia visivelmente emocionada. Chico Chico e a Banda Banda passearam com precisão pela sutil malandragem de “Farrapo Humano”, pelo suingue de “Ébano” e pela melancolia de “Congênito” e “Fadas”. Os arranjos traziam uma mistura marcante, incorporando elementos de bolero, reggae que davam uma nova identidade às faixas.

Entre uma música e outra, o público soltava um grito elogioso a Chico, que retribuía pedindo que as pessoas levantassem para curtir e dançar. Houve também muitos pedidos por “Menino Bonito”, composição de Rita Lee, gravada pelo artista, que caiu no gosto do público. Chico não decepcionou. De maneira muito inteligente, ele incorporou a faixa no bis, brincando que tinha feito uma música para Melodia.

A costura final perfeita ainda contou com a força de “Ninguém” e “Blues da Piedade”, de Cazuza , outra escolha que dialoga diretamente com o universo do homenageado.

Chico Chico não apenas cantou Luiz Melodia. Ele reviveu a sofisticação do morro e a poesia urbana que o consagraram. O show vespertino, que ganhou uma sessão extra na mesma noite, deixou a certeza de que a música brasileira, quando entregue em mãos tão talentosas, permanece irrepreensível.

Veja abaixo o setlist do show:

Magrelinha
Vale Quanto Pesa
Questão de Posse
Ébano
Pra Aquietar
Juventude Transviada
Estácio Holly Estácio
Estácio, eu e você
Congênito
Fadas
Veleiro Azul
Farrapo Humano
Negro Gato

BIS
Ninguém
Menino Bonito
Blues da Piedade

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Adriana de Barros

Adriana de Barros
Arte • Cultura • Música

Adriana de Barros

Jornalista musical

Adriana de Barros é jornalista musical com mais de três décadas de trajetória no mercado cultural e de entretenimento. Atualmente, integra a parte estratégica do Sonora, projeto de música do portal Terra, apresenta o podcast Afiadas, da ONErpm, e é integrante do programa Morde & Assopra às sextas-feiras, na rádio Energia 97 FM, participando do debate com foco em música.

Em sua trajetória, foi editora do site da TV Cultura, idealizadora e apresentadora do programa Mistura Cultural, veiculado nas mídias digitais da emissora e na rádio Cultura Brasil, e também apresentou o Educa Podcast, projeto que conecta os universos da música e da educação.

Integra os principais júris de premiações do país, sendo jurada de música da APCA, Associação Paulista dos Críticos de Arte, e do Prêmio Arcanjo de Cultura.

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